24 Junho 2009

Some Velvet Morning


Some Velvet Morning
navelouca
navelúdica
veludicalícia
veludicarícia
veludicaliente


VeludiCalienteMenteIntensa
veludicalouca venta caliente


intensa mente delícia



(poesia em parceria: Clauky Boom & Lucky Luciano)

22 Junho 2009

Ellas & Os Monstros

,



sequência de poemas coletivos criados em noite de lua nova, chegada do inverno, humaitá, cidade maravilhosa - 21 de junho de 2009


quem somos?




Enjoy it!


Pedras no caminho?
Guardo todas,
um dia vou construir um castelo...
(Fernando Pessoa)



o boato abateu a beata

a beata foi à boate,
caiu no barato do abate,
dançou com Linda Blair
cuspindo suco de abacate.

daí rolou um boato
que virou fato:
fatidicamente,
subsequente,
o boato matou a beata
numa praça suja da Lapa.


Humaitá pra Poeta

crie
tudo aquilo
que eu não cria.
burile
tudo o que
eu não bacilo.
não vacile
enquanto canto
o preencher do vazio.

ouça essa Orson Wells:
well...
palavras gravadas
alimentam meu viver.
humaitando

eu só como carne viva
quando ela suspira.

e ela nunca vem sozinha -
carne quente ao sol poente,
tempero da mente.

à quebra do sisal,
em ritmo sazonal
ou em dia de sarau.

mas nunca vai embora
antes da maldita,
bendita predicada
hora agora afora
onde o mundo,
como a rosa,
desaflora.


ultimato

chega, chega, chega!
tenho certeza:
se continuar assim
vai de mal a mal.

querem o mundo maquinado,
maquiado de mundo são,
mutilado.

multi-lados
todos os lados,
lado A, lado B
dois perfis de você,
perfilados em dados.

talvez sejamos mesmo
dados a rolar,
jogando charme
de pobre coitado.

porque nunca fomos anjos,
embora nascidos alados.



.

15 Junho 2009

coletivo lapiano

coletivo lapiano
rio, 11.06.09
clauky boom/ lucky luciano / sheyla de castilho)

tudo rosa
tudo acontece
poesia ou prosa
e eu no meio de tudo

não fico mudo
afogo as mágoas
em barcos de papel,
cachoeiras sem eira
nem beira rasteira,
fonemas quadro-a-quadro,
fábulas ao quadrado.

e de todo quadrado
eu peço o terço,
a terça parte
que reparti
naquele dia cinza
em que parti.

estava nublado.

pashmina






pashmina

desfiando memórias
do novelo do tempo,
meus olhos em nuvens
choram certezas de outrora.

nem tudo é tanto
que não possa ser mudado.

amazona das ventanias
cavalgo o tempo:
essa serpente gigante
que se enrosca na gente

faça chuva ou faça sol,
o tempo rói a cara do instante
que distante, transforma
dor em aprendizado.

e quando é agonia quem vem
poesia é o melhor remédio que tem



clauky boom
(in process)

08 Junho 2009

Bichos na Calada da Noite

I.

anoitece
e a manhã, tece?
tarduzindo:

a aranha tece
enquanto desce
pela sua teia.

volta-e-meia
de seda, o bicho
sai do seu nicho

para ver o que acontece.

e o que acontece?
anoitece.
e amanhã?

é outro dia.


II.

aranha,
hábil tecelã.
ser articulado,
ser aracnídeo,
tem grande abdomen,
quatro pares de patas,
vê com oito olhos,
tece seu próprio fio
pelo qual sobe e desce,
ser capaz de tecer teias
g i g a n t e s c a s
com finos fios de seda
.........................................................

13 Maio 2009

Iça (poemazul em 13 de maio)

IÇA (poemazul dedicado à Isa)

pois que venham os ogros,
saiam de suas cavernas,
borboletas barulhentas

pois estou sem velas
nem redes nem iscas

apenas comigo
carrego poemas

clauky saba

Obs: inspirado em texto da Iabela Figueiredo do Blog Ponto de Fusão sobre a Lenda dos Ogros
http://pontodefusao.blogspot.com/2009/05/lenda-dos-ogros.html

13 Janeiro 2009

poemazul 13




.




das cousas naturais




e aí, quase que por espanto,

despistei poemas


vaguei palavras um tanto,

espantei problemas



13.08.09

Clauky Saba


.

11 Janeiro 2009

Vario & Desvario

variações sobre o tema
andam dizendo por aí que eu ando variando.
só porque eu sou eu e sou muitas eus,
em meu estilo básico louco romântico
inconstante depressivo maníaco
neurótico e bacana?

ando variando,
ora pé, ora cabeça
mudam de ideia,
mudam senso e direção.

ando variando,
ora amanheço, ora tardo,
mas não falho,
só vario, sem exceção

vario porque sou várias eus,
esfinges e coliseus,
indecifráveis e fascinantes!

amo todas as minhas faces
como se nunca as tivesse visto antes.

sem recalques nem percalços,
ando com meus pés descalços.
Clauky Saba
.

18 Abril 2008

Par Perfeito




poesia e boemia

se dão muito bem


começam trocando as letras

e acabam trocando as pernas





PS1: pra quem me procura, tô na atividade

pra quem me lê, grata pela paciência em aguardar novos posts rs.

é que meu livro tá vindo aí, e me consome como filho.

saudades de todos. poetabraços, clauky

PS2: A foto acima foi tirada no lançamento do livro 'todas as vozes' do poetamigo e musicoeta Leandro Jardim

01 Março 2008

1º.o3.o8

Poemazul
vem assim
sem título

zunindo
acima como
desce

assume como
esquece

e passa,
zumbido.


Cky

01 Outubro 2007

Aviso Íntimo





saiam sentidos!
saiam já da minha cabeça
em erupção.


saiam,
eu dou minha palavra,
vocês vão se machucar...


estou prestes a descobrir o mistério do mundo.


e ainda que estrelas caiam por nós,
as coisas não devem ficar no
meio
do
caminho.



você saiu para eu transbordar
atitudes, neuroses,
dramas e realidades.


a vida tem dessas coisas:
apronta horrores
e, depois, morre de fininho.


clauky saba

09 Abril 2007

prezado leitor,

ao embarcar
observe atenta
mente o vão
entre o poeta
e o chão...

suba a bordo da palavra
e Boa Viagem!


*


não se consuma!
pois consumado está:

o corpo é o templo da alma
não a vitrine do ego.


*


com licensa poética
excuse moi,

minha mente está Venus
sou poeira estelar,

sou mar de lama
sou de lua, sou de fama...

o lunático pisa na grama.


*


; e eu que já fiz
pouco caso do caos
das coisas...

hoje delicio asas
ao sabor do vento

enquanto coisifico
o tempo em busca
de uma nova ordem,


*


no abismo crio asas
e atravesso infinitos


*

12 Março 2007

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image by Luca Guglielmo - Tempo Nuevo


*.*.*.*

poetamigos,
menos tempo do que gostaria
para dedicar-me a atualizar esse cantinho poético.
deixo com vocês versos que colhi
em meu bloco de anotações
apreciem sem moderação.
enjoy it!


*.*.*.*


quando escrevo
não me privo de nada
me livro em tudo


*.*.*.*

dei pra deitar
palavras na matina
...
aceito minha sina
e do verso serei servo
até que a morte
nos separe.


*.*.*.*


sinto um frio na barriga
e levito rente ao inesperado
desfecho propício
na ponta da rima
precipício de mim.


*.*.*.*


impossível?!
nada é impossível!
impulsivo que sou
impulsiono a roda
da vida e vôo
...


*.*.*.*


enquanto o vento
engravida cortinas
...
minha mente dá a luz!

*.*.*.*



a rima na ponta do pé,
o verso na palma da mão.

o calcanhar de aquiles
do poema é quando

a palavra perfeita
espreita mas não
chega aos
...................finalmentes...


*.*.*.*

dias correm...

correm
correm
correm
...
como criança
em dia de domingo.


*.*.*.*

(e) o tempo passa
como passatempo
...
brincando!

*.*.*.*


16 Fevereiro 2007

um pé de vento, palavras de pano e frutos [di]versos

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*.*.*.*


o cheiro das nuvens
deixa rastros em minha pupila
que cintila luz e som...


minha menina dos olhos
desabotoa a gota da folha
e chora o orvalho d[est]a
manhã vermelhorizonte.


*.*.*.*

palavras de pano


versos brejeiros
arrefecem meu peito,


sussurros sorrateiros
silenciam suspiros...


nossas distâncias
nos [de]terminam


enquanto serelepes
palavras de pano
cirandam uma cantiga.


volta e meia vou ver...
giram os zóinho e
falam de você!


: )))
solto gargalhos de poemar!

*.*.*.*


pé-de-vento


habita minha casa
um pé de vento
que cultivo no fundo
do quintal.


logo amanhece
aparo brisas e
colho orvalho
das folhas preguiçosas


...


à beira da tarde
rasgo ventanias,
persigo rimas,
germino o tempo.


com a alma em flor
rego noites : madrugada
a dentro afugento
qualquer dissabor


no enquanto do espanto
espalho o pólen do tempo,
encho o bucho de estrelas
e vago em versos brejeiros


no céu nasceu
,nesse instante,
um punhado
de poemas...

*.*.*.*
Costureira de versos


"Penso que colher versos
amanhecidos a cigarras
rouxinóis e no misterioso
adormecer das lagartas
seja que nem encher
o bucho de estrelas
(...)"
Lilia Diniz

07 Janeiro 2007

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image by alex krivtsov


minha imaginação...
sempre uma palavra e
meia na minha frente!





*


horas insones est
icam o silêncio da
noite

entre
sussuros e gritos
pensamentos
giram

círculos recicláveis



*
sou em parte
tudo aquilo que
me incomoda

todo aquele que
me muda em
flor, fruto, feto

meu objeto in
direto oculto
no sujeito eu

sou feita do que
me devora antes
de me decifrar...

03 Janeiro 2007

Como o Ar que Respiro...

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image by olhares.com modificada by clauky




.eu...eco
.eu...oco
.eu...ecôo
[en] cantos

.eu.sobre
.vôo asas
.e .poesia

.nuvens densas
.dessas que dis
.solvem arranha
.céus em plena
.luz do dia.




*





;e meu poema
caiu em si;
quando vi,
já era sol


*


o poema pousa
poente......
pausa e ponto
............


.......

20 Dezembro 2006

Vício Vital

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image by maria flores - 'leva-me contigo'


vício vital

você é vício
vontade víscera
contravenção
martírio fugidio
volátil fugaz

desvaneço em pétalas
ao chão...

quem sabe o vento,
irmão das horas poucas,
(não) invade esse aposento
e me leva livre
esvoaçada, solta
pela janela!

quem serei eu senão mais aquela?

me atormenta a rotina,
a luz direta na retina,
o interrogatório...

não sei de mim
nem sob tortura.
só me reconheço
pelas lentes da razão loucura.


*


das palavras e das coisas

mudo a cada instante
com o florescer dos minutos

suportes temporários
me sustentam...

enquanto eu tento
restabelecer a ordem
no recinto.


*


“eu gosto desse instante que ainda é quando”
Rayanne


Antecipação

se todo momento fosse primeiro
não haveria derradeiro

se cada instante fosse quando
não haveria durante

sendo cada tempo agora
essa é a melhor hora
para subir arrepios
dos pés à cabeça

nesse quando quase indo
quero esse instante sustenido
obtuso e infinito


enquanto for


(inspirado no poema
“Dos Presságios”

11 Dezembro 2006

"Há flores por todos os lados... E embaixo do meu travesseiro."

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image by olhares - lágrimas




*

entre o muito e o muito pouco
existe um meio caminho oco
um caminho vazio no meio do nada
um instante vácuo no cio
pronto para ser concebido

no meio do caminho havia...
um caminho do meio.


*


numa noite daquelas
sou dessas
que viram ‘elas’

: borboletas literárias
a flanar sobre
cabeças pensantes

*


mentes brilhantes
não ofuscam...
faíscam!


*

para ‘
Marlarida’ e Jardim

‘floresias'
se proliferam no jardim
dos meus olhos

‘borboletras’
borburinham
em borbotões

multicoloridos


*



News: Eu, Chris Herrmann e Sol Firmino estamos juntas no Anel de Saturno: um blog em tributo ao poetamigo Nel Meirelles, onde postaremos homenagens e curiosidades desse talento e daremos continuidade ao seu Telescópio, selecionando poemas na web. Peguem uma carona na cauda do cometa e nos visitem em Saturno!


30 Novembro 2006

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image by Rui Bonito




você : meu maior paradoxo


*


se eu pudesse
liquefazia meu pensamento em você
e lançava em água corrente...


renovava meu riso
e me mudava definitivamente
para a nascente dos meus olhos


de lá vislumbraria o rio...


já não é o mesmo rio,
já não sou eu mesmo,
não sinto o mesmo vazio.


*


não sou mais do que posso ser
mas posso ser mais do que sou


*


quis ter asas
e ainda quero


pássaro-poema


: volta logo que
eu te espero!
*

21 Novembro 2006

In Memory

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Este post e essa poesia eu dedico a Nel Meirelles, grande poeta, grande amigo que partiu do plano terreno na semana passada (dia 17/11/06). Nel: saudades!

Nel plantou muitas sementes poéticas... e, cabe a nós, difundí-las e regá-las com o mesmo amor e ardor com que ele as plantou (nesse mundo cyber em que todos se encontram...)


já tive medo da morte
não da morte em si
mas do que acontece
aqui dentro do peito

o que mais incomoda
é o ser partido ir
embora sem corpo
... sem direção

perdemos a referência matéria
supomos uma nova realidade

transgredir dois corpos no espaço
e (re)tornar apenas

um

Clauky Saba

*

E aqui, deixo um (de dois poemas seus) que ele considerava bom ;o)

ofertório da saudade anunciada


esvai-se o tempo
abrindo o tampo
de tudo de tanto
que tento nas noites
escrever de fugaz
que escorre da cana
que quebra na cama
que doido se trai
que muda de uma
pra outra estação
que cobre o rosto
descobre que posto
que a vida que rouba
o rosto que morde
não fala não fala
no mudo ouvido
e todo sentido
que pode nascer
da porta aberta
que aperta o nome
do que nunca se soube
se houve ou se há
amarga a língua
de talagada
tango samba balada
a boca velada
a vela apagada
a luz que acende
sem meias verdades
sandálias descalças
vestindo saudades
nos meus olhos teus

Nel Meirelles

16 Novembro 2006

Existencial Poeta

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pra matar saudades ;o)
desculpe a demora...

*

Não sou mais do que posso ser.
Mas posso ser mais do que sou.


*

BIS
Quando chegar minha hora
quero morrer na aurora
sob às luzes da ribalta

Vou feliz...
No fechar das cortinas.
O palco é a minha sina!

Qualquer dia... Eu volto para o Bis.


*

quero só um pedaço...
um pedaço do seu mau caminho.
um abraço dos seus braços imensos!

universos de 'eu' que se dissipam...

em teus braços é que faço meu ninho.


e pra encerrar uma "word game" do meu mano Giuli:

metáfora
meta fora
fora da Meta
mêta pra fora
fôra pra meta

16 Outubro 2006

Poesia não se explica...

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"Casulo aberto" (autor desconhecido)



"Vivencio meu mais novo em cio..."


*

O NOVO EM CIO

Solto um grito pra dentro.
O oco do eco acusa o vazio
latente em meu peito.

Qual um imóvel que se aluga...
Há lugar para tudo e nada
numa sala sem memória.

O cheiro do novo me comove...
É como um buquê de possibilidades
que perfuma e decora o ambiente.

Nada mais presente
do que o momento-agora
em movimento constante.

Rumo ao desconhecido
mundo fora do casulo
liberto minhas asas...

e

pulo.


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diálogos de recordações empoeiradas na cristaleira da memória :


Juju Hollanda:
coração não se explica, não é?
...............bem, o meu coração não se explica!


Clauky Saba:
meu coração também se nega
.............a dar explicação de suas dores e amores...
.............Mas aceita flores!




Photobucket - Video and Image Hostingtodo avesso tem seu verso
a palavra no espelho
o reverso da moeda


o reflexo de tudo
é o meu inverso

*

28 Setembro 2006

Amanheça...

"Just dip your finger in the ocean water and it will RISE"
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'Rise' image by Nicholas Giovanni Quiring (modificada por Clauky)



“O fato de uma coisa ser difícil deve ser
um motivo a mais para que seja feita.”
R.M.Rilke
(Cartas a um Jovem Poeta)

*


SOU EM MIM
O QUE NUNCA SEREI
E O QUE AGORA
EU JÁ SEI.

*


Vivemos um momento de abandonar a casca, aquela pele que pensávamos nos pertencer. É o novo que chega, com cara de sem dono, sem lenço, nem documento. É um novo ‘Sol’ nas bancas de revista. É não deixar a preguiça bater e se encher de alegria, pois existe um árduo, mas belo, caminho pela frente.


Ao contrário do que possamos imaginar, não ficaremos sem teto. Pelo contrário! Agora somos feto protegido pela placenta da mãe natureza. Bicho-do-mato que sai do casulo de encontro ao céu, azul-infinito.


Esse é o momento de transformar o mundo de fora a partir do mundo de dentro. Vamos juntos! Porque somos todos um.

*

UM POEMA SÓ É
SENDO EM SI
O MESMO EM MIM

*

"Posso saber além da fatalidade do eu?"
Artur da Távola

22 Setembro 2006

Felicidade é pra poucos...

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“Ir me seguindo é na verdade
o que faço quando te escrevo...”
Clarice Lispector (Água Viva)




*




nesse abissal de nós
que seja por enquanto
enquanto dure




*




Felicidade é pra poucos...
no entanto não distingue:
cor, sexo, religião...
tão pouco idade.


Felicidade,
iguaria sem igual,
matéria prima própria,


produto tipo exportação
made in : side




*




como se atreve
a permanecer
fora da órbita
dos olhos meus?




*





I wanna give you wings
so you can fly me
to the moon


I promisse we
won’t come back
too soon





News: agora Clauky versão flickr!
Dêem uma olhada na coluna lateral do Arte...


15 Setembro 2006

Inconsciente a Céu Aberto

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Minha doença é poesia incurável...

*


“É preciso não morrer por enquanto”
Torquato Neto


*


poeta do inconsciente

(para os Anjos Tortos)

navego louca
vago pouca,

em pedaços,
espaços pequenos
ocupados por in
lucidez ilógica,

própria preponderante,
inócua militante,

asfixiante...ar...
Ar! Torquato!
ARTORQUATO

respirar
vagar a navilouca
‘naviloucamente’

da vida, bicho
o princípio é
o precipício
do
verbo
.



Sinto meu inconsciente a céu aberto (essa é uma expressão lacaniana) após assistir a ARTORQUATO de Antônio Quinet, espetáculo sobre a vida e obra do jornalista, letrista e poeta Torquato Neto.

O ator Gilberto Gawronki encarna Torquato, em montagem que conta ainda com Cristina Aché, Rodolfo Bottino, Gisela de Castro, Gean Queiroz e Miguel Campello (90min). Centro Cultural dos Correios - R. Visconde de Itaboraí, 20 - Centro/RJ, 5º a dom, 19h. $ 20, Até 1º/10

*


exposto
a céu aberto
o lado de dentro
desperto



E, pra terminar, a 'máxima' da noite - entre ratas e anjos tortos:

Meus heróis morreram de overdose... mas os mitos continuam vivos!


Poetabraços a todos!

06 Setembro 2006

de Soslaio...

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image:Louise Brooks



,
virgulo a curva
divertida
do seu rosto

derrapo teus
olhos no sen
tido oposto

beijo o canto
do seu sorriso
de gosto sortido

depois saio... de soslaio,

invertido


*


todo poeta um dia
questiona quantos é,
inquere essa multidão inquieta
que habita a cabeça da gente.

à borda da palavra
pendurado por um fio
condutor: o desafio


*

incan
desce
pôr-do
sol
por
de baixo
de mim

...
arrebol


*


cuidado:
amanhã ou depois
no próximo instante
ou minutos antes...
posso liquefazer luz.



*





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Novidades:

>> O ‘Arte em Toda Parte’ ganhou o Troféu Destaque GB – o Oscar dos Blogs

>> Estou participando do International Weblog Awards 2006 -
The Bob’ (Best of the Blogs).
As inscrições estão abertas até fim de setembro.


BOM FERIADO!!!

27 Agosto 2006

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Só essa fome,
que não sacia,
é que alimenta
poeta e poesia.



*




Vontade você...
porque :
vontade não
precisa
pretexto nem
preposição


*




vasculho versos pelos cantos.
mergulho na totalidade eu.


ora solfejo sorrisos,
ora afago meu pranto.


prenhe de cosmos,
ovulo poesia e prece,


cuspo * e s t r e l a s *
na boca da noite
e pairo a lua
cheia, repleta
de céu




em tempo: adorei descobrir essa palavra: ‘pairo’
estava eu gestante dela quando recorri à bíblia
do poeta: o dicionário

eu pairo: conjugação da 1ª pessoa do singular do verbo ‘parir’

vezes gero palavras sem saber da sua existência...
sem saber que ao pensá-las, faço-as existir.


23 Agosto 2006

Luto pela Paz (blogagem coletiva contra a violência)

( rompendo o silêncio - blogagem coletiva - idéia lançada pela Laura em 22 de agosto de 2006)

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diante da violência, do terror e do medo inerentes a nossa sociedade,
penso na raça humana e na minha capacidade de persistir
fazendo arte e propagando amor...

escrevo para romper o silêncio, para romper a bolsa da hipocrisia,
para mostrar que ainda é possível acreditar na união, na mobilização.
É possível acreditar e ser... humano.


Luto Pela Paz


Pela definição do dicionário Michaelis:

Pacifismo: Sistema que defende a paz mundial permanente e o desarmamento das nações.

Paz: Condição de um país que não está em guerra
(enquanto isso, pessoas se reúnem em torno de uma lápide de mármore)


Jaz aqui um soldado
que lutou pela paz
e por ter lutado
sua família hoje veste luto.

Luto pela paz
jazida no coração inquieto
na carne hostilizada
na alma penada...
É preciso:

Apaziguar
pôr-se em paz,
pacificar.

Restituir o riso
de-volver a vida,
recuperar o tempo perdido,

a tranquilidade pública,
o repouso, o silêncio,
a calma de espírito

Em luto pela paz
um poeta aqui jaz.

Clauky
(p.s.: fiz esse poema protesto em 2003. percebo a atualidade dos versos
e a importância de refletirmos e agirmos para restituir o riso em cada vida)


participantes até o momento: links copiados do blog Caminhar

Denise Arcoverde , Ingrid , Lucia Malla , Soninha , Pedro Paulo Rangel , Guga , Flávio Prada , Inagaki , Neto , Luci , Marcia Clarinha , Claudia , Luma , Cristiano , Marta Bellini , Jim Ritz , Jasmine , Claudio , Lia , Beth Salgueiro , Lou Salomé , Jannine , Mani , Liliana Alvez , Flávia , Clarice , Vânia , Turmalina , Do Ás ao Rei , , Cíntia , Lula , Cris Passinato , Kátia.suiça , Flávia sereia , Valérie , Camille , Mina , Nilza , Leila , Olívia , Cilene , Tertu , Elayne , Diana , Sandra , Alena , Albinha , Do , Elizabeth , Ce , Leila , Re_ventania , keila loba , Maitê , Ana , Zeca , Marcos Pardim , Susan , Bia , Helena Costa , Neuma , Anna Flávia , Ursa sentada , Vânia Beatriz , Jan , nova partida , Zeca , Ricarda , Ana , Wilson , Lino Resende , Carla, Jeanne , Cláudia Beatriz , Paulo Silva Silva , Erik the Red , Marshall , Cris , Marco Aurélio , Ellen , Lizhy , Lili , Telma , Carol , Carlos , Elaine Paiva , Alexandra , Cris , Maria , Jorge Antonio , Luiz Carlos (...)

17 Agosto 2006

Como Somos...

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Raulzito - "Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei"



Somos herdeiros do rock
progenitores do pop
moderno contemporâneo
apócrifo instantâneo


Abortamos o tempo
................................................em instantes

contradizemos o antes
como seres em mutante


~ oscilação ~

................................vezes pulsa

...............vezes repulsa


como sopro de poeira
cósmica virtude
codificada em passos


constantes compassos
[compactados]
no compasso de agora!


(Pro meu mano)
15.08.06

*


vida que segue...

segue me espiando na espreita
me observando pela fresta azul

apoiada no parapeito do possível

*


Próprio Punho


quero morrer sendo
cada poema em mim
pedaços de dor e ternura
enlaces de som e sutura


quando morrer não levo
meus poemas
deixo-os em testamento
e testemunho (de próprio punho)


estive por aqui.


(inspirada pela 'morte sendo' de múcio goes)


*


certas horas
são momentos
delicados de
lucidez do
utópico.




.

10 Agosto 2006

Palavras na veia.

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(image by Monica Bellucci - Phototeque)


*

desculpe a demora
poeta não tem hora
esboça o arcaico
e esculpe o mosaico


*


palavras (es)correm pelas minhas veias...
...
..
.
se
corto os pulsos
, componho um best seller
!


*

à lua dessa semana:

cheia a lua
achei-a nua
que fascínio!


*

“Podem ser resumidos os conselhos do poeta em algumas linhas:

escrever só por absoluta necessidade,
evitar temas sentimentais e formas comuns,
escolher as sugestões oferecidas pelo ambiente,
a imaginação e a memória,
não dar importância aos críticos,
não ler tratados de estilo.”


(Trecho Prefácio Cecília Meireles,
Cartas a um Jovem Poeta, Rainer Maria Rilke, Ed. Globo)


*

Um dia me arrisquei em linha reta... E a poesia saiu toda prosa,
cor da aurora quando rosa. Amanheceu dentro de mim.
Um novo amarelo coloriu meu céu in sépia.